Um Analista 24 Horas

30/09/2009 13h06

Elza Macedo

Este decálogo é resposta à pergunta da colega Maria Cecília Parasmo, no contexto do Projeto Análise, coordenado por Jorge Forbes: O analista é analista apenas na sessão de análise ou o é o tempo todo?

Um analista se posiciona sempre como tal.

Sua análise o levou a responder a partir de seu desejo e a querer aquilo que deseja.

Sua análise o levou a se relacionar com o mundo a partir do real.

Sua análise o levou a não extrudar o real.

Sua análise o levou a lidar com o real enquanto intruso.

Sua análise o levou a se reportar a um Outro, a se colocar como analisante. É numa análise que, basicamente, o analista se forma, “para poder se oferecer num amor absolutamente peculiar, que é o amor de transferência e não o amor do pacto”. (Forbes)

Sua análise o levou a suportar seu corpo (leib), corporar, na sua singularidade e não na universalidade do todos iguais.
Sua análise o levou a não ceder ao corporativismo, ao mutualismo e ao toma-lá-dá-cá.

Sua análise o levou a reconhecer o engodo do prêt-à-porter com máscara de sofrimento, de generosidade, de compaixão, de conhecimento, de poder...

Sua análise o conduziu a se mover numa fita de Moebius, onde não há fronteira entre o dentro e o fora, entre o consultório e o mundo.

Se a psicanálise fosse uma prática, uma profissão, então, o analista se restringiria aos limites da técnica e só poderia ser analista na sessão de análise. Mas a psicanálise é uma práxis, envolve uma ética.

Então, ele só pode ser analista o tempo todo.